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Dieta da Poesia - Afonso Cruz (resenha)

segunda-feira, 13 de abril de 2026

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Dieta da Poesia é um livro bonito, inteligente, cheio de boas intenções, mas que, para mim, ficou mais no campo da ideia do que da experiência

Saudações, Leitores!

Meu primeiro contato com uma obra de Afonso Cruz foi em 2016 com o livro Flores, cuja experiência foi incrível e fiquei com vontade de ler outros livros. Tive oportunidade de ler outro livro do autor em 2021, dessa vez com o fenomenal Vamos Comprar um Poeta e UAU, fiquei sem palavras, portanto ao iniciar Dieta da Poesia já fui com as expectativas altas, mesmo pegando um volume com poucas páginas e apesar de ter gostando, não correspondeu as minhas expectativas, portanto foi uma leitura inferior ao que esperava, mas mesmo assim muito boa.

A obra acompanha Bazulaque, um homem com uma relação quase compulsiva com a comida. Em um primeiro momento, ele usa os livros como escada para alcançar os potes mais altos para poder comer, até que um acidente muda essa lógica. A partir daí, acontece uma inversão simbólica ele já não lê enquanto come, ele come enquanto come. Ou seja, nasce uma nova fome: a da leitura.

A medida em que lê, Bazulaque, começa a ter consciência de que a memória não é eterna, começa a visualizar outras sutilezas e amenizar as dores de outras pessoas, porque com a leitura ele passou a ter mais sensibilidade e empatia.

Dieta da Poesia não é uma narrativa tradicional, cheia de acontecimentos ou grandes conflitos. É quase uma fábula, com um tom poético, que propõe uma reflexão sobre o consumo, não só de comida, mas de tudo e sobre como a literatura pode transformar a forma como enxergamos o mundo. E eu gostei disso, dessa forma sutil e meio irônica de expor e proporcionar certas reflexões.

Gostei da ideia, da proposta, dessa metáfora da “dieta” feita de poesia. Existe uma delicadeza no texto, uma intenção clara de provocar reflexão, de desacelerar, de fazer o leitor olhar para as coisas, acontecimentos e pessoas com mais atenção. No entanto, ao passo que gostei do livro, Dieta da Poesia, eu não amei. Não sei... talvez eu precise de mais tempo para processar o que li, ou até mesmo fazer uma releitura, afinal dá pra ler esse livro em poucas horas.

Em vários momentos, durante a leitura de Dieta da Poesia, tive a sensação de que o livro se apoia mais na ideia do que na construção. Como se a proposta fosse muito interessante, mas não tivesse sido desenvolvida com a profundidade que poderia ter sido, ou com mais substância.

Além disso, por ser um livro curto, tudo acontece muito rápido. A transformação do personagem, que é central para a história, acontece de forma quase abrupta. Funciona dentro da proposta mais simbólica, mas, como leitora, senti falta de um pouco mais de desenvolvimento, de mais tempo para me envolver, e isso não é algo específico de Dieta da Poesia normalmente sempre tenho essa sensação com livros curtos. E esse foi o ponto que se tornou um calcanhar de Aquiles durante a leitrura.

Dieta da Poesia é um livro bonito, inteligente, cheio de boas intenções, mas que, para mim, ficou mais no campo da ideia do que da experiência. Muito mais interpretativo e reflexivo do que de fato acontecendo nas palavras, no enredo.

Eu gostei. Gostei da reflexão, da proposta, da forma como o livro tenta ressignificar o ato de comer e de ler. Mas não foi uma leitura que me marcou profundamente. Foi mais como um pensamento interessante que você encontra, concorda, acha bonito… mas que não necessariamente fica com você por muito tempo, sabe? Acho que vou precisar reler esse livro, vai que "perdi" alguma coisa durante a leitura, não é mesmo?

Espero que tenham gostado desse veredito, até a próxima postagem aqui no blog!

FICHA TÉCNICA
Título Original: Dieta da Poesia
Autor: Afonso Cruz
Tradutor: -
Gênero: Ficção. Conto.
Editora: Dublinense
Ano: 2020-2025 | 96 págs.
País de Origem: Portugal
Classificação: +14
Aviso de Conteúdo: Morte. Luto. 
Minha avaliação: 
⭐⭐⭐ (3/5)
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