Ainda Sou Eu é um fechamento incrível e me reconciliou com a jornada de Louisa Clark
Saudações, Leitores!
Ainda Sou Eu (Still Me, 2018) encerra a trilogia iniciada pelo fenômeno mundial Como Eu Era Antes de Você. Escrito pela britânica Jojo Moyes, este volume chega com a difícil missão de dar um destino final a uma das personagens mais queridas da literatura contemporânea.
Antes de mais nada, preciso abrir meu coração com vocês: minha relação com essa série foi uma verdadeira montanha-russa. Enquanto eu AMEI o primeiro livro Como Eu era Antes de Você, eu simplesmente tomei um banho de água fria como a continuação, Depois de Você, o que me deixou extremamente desanimada para concluir a trilogia. Mas, ainda bem que decidi dar uma nova oportunidade, pois este terceiro livro me reconquistou completamente.
Em Ainda Sou Eu, especificamente, temos um mix de sentimentos e autodescobertas que são construídos de forma sutil, mas impactante. Se em Depois de Você vimos uma Louisa perdida e apagada pelo luto (e talvez tenha sido por isso que me desanimei, porque o livro é muito pesado), aqui somos apresentados a uma narrativa que evoca a reconstrução da identidade em um cenário totalmente novo: a vibrante e caótica Nova York. SIM, Louisa Clark aceita um emprego na casa de uma família riquíssima em Manhattan e, ao atravessar o oceano, ela acaba atravessando também suas próprias barreiras internas e ela só faz isso por conta do Will Traynor que continua, mesmo depois de sua aterradora decisão, inspirando Lou a ser ela mesma.
Ao acompanharmos Lou em Nova York, vamos nos deparando com tecituras da narrativa que exploram de forma sarcástica e reflexiva as diferenças de classe, o isolamento em meio à multidão, o ser estrangeira em um pais novo e a eterna busca pelo equilíbrio entre agradar aos outros e ser fiel a si mesma. De certo modo, Ainda Sou Eu é um volume que dá uma nova roupagem à busca pela felicidade, conversando com o leitor sobre a coragem necessária para mudar de vida, mesmo quando o passado ainda exerce uma força gravitacional imensa sobre nós, mesmo quando sentimos medo e quando temos que abdicar de outras coisas. Decisões e escolhas nos levam a abdicações e a abraçar novas experiências, não é mesmo?
Sem dúvida, Jojo Moyes reencontrou o tom certo aqui. A estrutura narrativa nos devolve aquela Louisa solar, curiosa e autêntica, mas agora dotada de uma maturidade que só as frustrações anteriores poderiam proporcionar,. Os dilemas que a autora propõe abrangem o universo da autodescoberta com muita força de identificação, pois todos nós, em algum momento, já nos perguntamos se as escolhas que fazemos são realmente nossas ou se estamos apenas performando o que esperam de nós.
O mais impressionante neste volume é que vamos acompanhando a protagonista acertar, errar e viver seus dilemas de forma real. Lou vai seguindo sua vida tentando acertar e ir de encontro com seus princípios. Inclusive, ela se envergonha quando algo não sai como o planejado pensando no que outros podem considerar fracassos, mas que depois percebe que a jornada percorrida a torna mais forte e evoluída. É tão sutil a evolução da protagonista que a gente só se dá conta do quanto ela amadureceu no final, sabe? Assim como na nossa própria vida, percebem?
Podemos considerar que Louisa é a típica personagem que nos prepara para as nossas próprias reviravoltas cotidianas. Em Nova York, ela precisa lidar com segredos familiares de seus patrões, um novo relacionamento à distância e a constante sombra de quem ela foi um dia, sem contar que vai encontrar uma pessoa que vai lhe lembrar do passado. Quando os caminhos de Lou se cruzam com novas figuras e novos desafios, já esperamos que ela encontre seu lugar no mundo, certo? Porém, o enredo fica interessante justamente por ser intimista e cheio de criticas sobre o mercado de trabalho e as relações de poder na alta sociedade americana, bem como das fachadas de aparência e máscaras que as pessoas poderosas tendem a usar, abdicando de quem são realmente.
Percebemos desde o início que Louisa é uma pessoa que passou por traumas que afetaram seu psicológico de inúmeras maneiras, inclusive observamos a evolução da autoestima dela. A forma como Jojo Moyes coloca os pensamentos da personagem é real e deixa o leitor ciente de que a saúde mental é afetada tanto por influências internas quanto externas. Somos afetados pela forma como nos relacionamos com nossas raízes e como permitimos que o novo nos molde sem nos destruir e cada etapa é uma busca constante de autoconhecimento e identidade.
Definitivamente, Ainda Sou Eu é um livro que merece ser lido, especialmente por aqueles que, como eu, ficaram decepcionados com o volume anterior. Ele traz novas perspectivas e mostra que é possível, sim, encontrar um final que faça jus a uma história iniciada com tanta intensidade. Não é um livro clichê de felizes para sempre, mas uma história mais real sobre o continuar vivendo, o que pode agradar muitos leitores que buscam na literatura um espelho para suas próprias trajetórias de superação.
Acredito que Jojo Moyes soube passar uma mensagem realmente valoroso nesse volume. Recomendadíssimo. Obrigada por terem lido e até a próxima postagem!
| FICHA TÉCNICA |
| Título Original: Still Me Autor: Jojo Moyes Tradutor: Ana Rodrigues, et al. Gênero: Ficção. Romance. Drama. Editora: Intrínseca Ano: 2018 | 400 págs. País de Origem: Inglaterra Classificação: +15 Aviso de Conteúdo: Luto. Morte. Câncer. Acidente. Mentiras/Segredos. Conteúdo sexual. Pressão social. Minha avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐ (5/5) |

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