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Meridiana - Eliana Alves Cruz (resenha)

segunda-feira, 27 de julho de 2026

COMPRAR: Amazon

Meridiana é um livro que busca nos fazer refletir sobre quem somos, queremos ser e a que lugar pertencemos

Saudações, Leitores!

Meridiana (2025) é um romance da escritora brasileira Eliana Alves Cruz, uma voz bastante importante da literatura contemporânea nacional e por isso eu precisava conferir um de seus livros, então quando tive a oportunidade de comprar e ler, aproveitei. Além de escritora Eliana Alves Cruz é jornalista e se destaca por trazer narrativas de ficção com ênfase em perspectivas afro-brasileiras, dialogando com a história, a memória e as questões raciais brasileira. 

Em Meridiana, a autora nos apresenta uma história construída por diferentes perspectivas: Ernesto, Aurora, Zuleica, César, Augusto, Meridiana, fazendo com que essas vozes narrativas assumam um papel fundamental na experiência de leitura. Aos poucos, vamos conhecendo personagens marcados por suas memórias, escolhas, conflitos e silêncios, enquanto suas trajetórias se entrelaçam em uma narrativa que discute identidade, pertencimento, ancestralidade, relações familiares (todas as vozes são partes da mesma família) e as marcas deixadas pelo passado na construção do presente. Cada capítulo do livro é narrado por uma dessas vozes, quase como se fosse um conto, mas que cada história tem congruências entre os personagens e passamos a compreender cada um deles melhor.

Mais do que acompanhar uma sequência de acontecimentos, pois não temos essa sequência é uma história cheia de flashbacks, Meridiana convida o leitor a mergulhar nas subjetividades de seus personagens. Cada voz acrescenta novas camadas à narrativa e amplia nossa compreensão dos acontecimentos, mostrando que uma mesma história pode assumir significados completamente diferentes dependendo de quem a conta (isso me lembra muito o livro de Chimamanda: O Perigo de Uma História Única). 

É justamente essa multiplicidade de olhares que faz o romance ganhar força, permitindo que diferentes temas sociais e humanos sejam explorados de maneira sensível e inteligente. E o mais interessante é que vemos nos personagens pessoas reais: erram, acertam. Não existe um verdadeiro vilão, só pessoas vivendo sua única vida e tentando fazer o que consideram melhor: as melhores escolhas, os melhores caminhos... Melhor pra quem? Essa é a verdadeira pergunta que paira sobre o volume: às vezes viver é uma prisão que nos leva a sempre buscar o inalcançável. 

Gostei da leitura, embora ela não tenha me conquistado completamente, acho que faltou eu me cativar mais pelos personagens, algumas vozes eu gostei mais do que de outras e, querendo ou não, isso gera um impacto na experiência da leitura. Ao passo que essa alternância de vozes narrativas, me chamou atenção porque a gente compreende melhor cada personagem através de seu ponto de vista e como ele vê os outros personagens, essa estratégia amplia e intensifica nossa visão. Cada personagem possui uma identidade muito própria, e isso faz com que o romance pareça vivo, múltiplo e bastante humano.

Também gostei da construção dos personagens, que carregam contradições, fragilidades e motivações muito bem desenvolvidas, como eles vão lidando com a expectativa do outro e com a tentativa de escutar sua própria voz, descobrir seu espaço no mundo. Ao mesmo tempo, senti que a leitura, em alguns momentos, perdeu um pouco do ritmo para mim. Houve passagens em que demorei mais a me envolver emocionalmente com a história e, por isso, terminei o livro admirando muito sua construção literária, mas sem criar aquele vínculo afetivo que algumas leituras conseguem despertar. Ainda assim, reconheço a qualidade da escrita da autora e a riqueza das reflexões presentes na obra. 

Foram muitas reflexões: palpáveis e impactantes do tipo: qual o lugar no mundo que pertencemos? Será que existe mesmo um lugar onde podemos ser apenas quem somos? Somos tão moldados desde a infância e apresentados para etiquetas, melindres, filtros sociais que a essência de uma pessoa pode desaparecer querendo seguir todas essas expectativas e cargas externas. Meridiana é um livro que busca nos fazer refletir sobre quem somos, queremos ser, a que lugar pertencemos quando passamos a vida inteira tentando nos adequar a espaços que não nos aceitam, não nos compreendem. O que resta realmente de nós? Uma baita crise existencial que às vezes surge quando somos bem mais velhos e alcançamos o que almejamos, mas sentimos o vazio ou às vezes a vida passa tão rápido que não sobra tempo para reflexões. 

Sem dúvida, recomendo Meridiana para leitores que apreciam literatura brasileira contemporânea, romances de múltiplas perspectivas e narrativas mais contemplativas, centradas na construção de personagens e nas relações humanas. É um livro que certamente encontrará grande acolhida entre quem gosta de histórias que provocam reflexão e valorizam diferentes vozes e experiências de vida.

Espero que tenham gostado da resenha! Muito obrigada por acompanhar mais uma leitura comigo e até a próxima postagem!

FICHA TÉCNICA
Título Original: Meridiana
Autor: Eliana Alves Cruz
Gênero: Ficção. Drama.
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2025 | 184 págs.
País de Origem: Brasil
Classificação: +15
Aviso de Conteúdo: Racismo. Preconceito. Bullying. Homofobia.
Minha avaliação: 
⭐⭐⭐ (3/5)
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