Resenha: "O Caderninho de Desafios de Dash & Lily" de David Levithan e Rachel Cohn

O Caderninho de Desafios de Dash & Lily, David Levithan e Rachel Cohn, Rio de Janeiro: Galera Record, 2016, 256 pág.
Traduzido por Regiane Winarski

Dash & Lily's Book of Dares (2010) que no Brasil recebeu o título de O Caderninho de Desafios de Dash & Lily foi escrito por David Levithan e Rachel Cohn, traz uma história que se passa toda nas véspera do Natal e no Natal/ Ano Novo ambientado em Nova York.

Esse livro é muito fofo, mas é bem infanto juvenil, e apresente os dilemas dessa transição entre infância e adolescência, primeiro amor, responsabilidades. Amo os livros do David Levithan porque - mesmo os que abordam temáticas tabus ou pesadas - são bem leves e despretensiosos, este também foi meu primeiro contato com a escrita de Rachel Cohn.
Em O Caderninho de Desafios de Dash & Lily somos apresentados a esses dois personagens amorzinhos, que são tão parecidos, mas ao mesmo tempo são o oposto um do outro, tipo: Dash não gosta do Natal, ama as palavras, gosta de ler e falar palavras difíceis, já Lily ama o Natal, tem toda uma tradição natalina que segue, mas que no atual ano é quebrada, então como ela gosta de ler e de desafios, seu irmão Langston e o namorado dele propõe que ela crie desafios num moleskine e o deixe numa biblioteca para que quem o encontrar possa realizar o desafio.

Quem encontra o moleskine e Dash e a partir daí, mesmo sem se conhecerem passa a se desafiar através de tarefas e repassando o caderninho um para o outro. Nessa "brincadeira" ambos acabam criando expectativas muito grandes a respeito um do outro, mas com elas vem o medo de que, caso se conheçam, não sejam bem como imaginaram. Sim, o casal vai ter que aprender a lidar com esse medo para poderem se tornar um casal.
Nisso acabamos conhecendo um pouco sobre cada um dos personagens e começamos a entender os motivos de Dash não gostar do Natal e estar tão solitário na época mais festiva do ano. Por outro lado ficamos a par dos motivos de Lily amar o Nartal, mas se sentir absolutamente frustrada com as comemorações daquele ano, já que seus pais estão viajando.

"As pessoas importantes em nossas vidas deixam marcas. Elas podem ficar ou não no plano físico, mas existem para sempre no coração, porque ajudaram a formá-lo. Não dá para esquecer isso." (p. 228)

Através dos desafios também passamos a conhecer os amigos de Dash, a vida de Lily e percebemos que eles tem mais incomum do que aparentam e que eles podem sim, se tornar um casal lindo... desde que se conheçam... Então, passamos o livros quase todo torcendo para o grande evento (que os dois marquem encontro, se esbarrem, etc).
Particularmente, amei o livro, é uma leitura tão agradável e que flui tão bem, o conjunto todo harmonizou bastante com época em que acontece a história: a narrativa interativa, os desafio engraçados, os personagens apaixonantes, sem contar que o local em que o enredo acontece é tão amor: Nova York e acabamos passeando pela cidade, andando de metrô e tudo o que temos direito...

O Caderninho de Desafios de Dash & Lily é uma excelente leitura para esta época do ano, afinal quem não gosta de ler sobre primeiros amores? Mas quero ressaltar, que não vá com sede demais ao pote, porque este livro não intenciona marcar o leitor ou mudar sua vida e forma de pensar, mas a intenção é entreter, divertir e fazer com que o leitor fique suspirando e torcendo pelos personagens.
"Com ou sem oração, quero acreditar que, apesar de todas as evidências do contrário, é possível para qualquer pessoa encontrar aquele alguém especial. A pessoa para passar o Natal com, ou para envelhecer com, ou para fazer uma caminhada boba no Central Park com. Uma pessoa que não julgaria a outra pelas preposições mal posicionadas no final das frases, nem pelas frases mal conectadas, e que por sua vez não fosse ser julgada por esnobismo das inclinações da etimologia linguística." (p.77)

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