Resenha: "The Beauty of Darkness - Crônicas de Amor e Ódio, vol. 3" de Mary E. Pearson

The Beauty of Darkness, Mary E. Pearson, Rio de Janeiro: DarkSide Books, 2017, 576 pág.
Tradução: Ana Death Duarte
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Saudações Leitores!
The Beauty of Darkness (2016) é o terceiro e último livro da trilogia Crônicas de Amor e Ódio escrita pela americana Mary E. Pearson e precedido pelos livros The Kiss of Deception e The Heart of Betrayal. Sempre dá uma sensação de orfandade quando estamos lendo o último livro de uma saga tão amada e foi com esse sentimento que me debrucei nas páginas de  The Beauty of Darkness, contudo não foi apenas com esse sentimento com quem tive que lidar.

Lembrando que, por ser o terceiro livro é claro que vou ter que falar de situações que aconteceram nos livros anteriores e, portanto, você pode considerar isso SPOILLER, então fica aqui o aviso.

Após o final estonteante de The Heart of Betrayal eu simplesmente parti para a leitura de The Beauty of Darkness pois fiquei frenética para saber o que "diachos" aconteceria com a última "ação" do livro anterior que era a fuga de Lia, Rafe e seus soldados de Venda. A situação caótica me deixou tão eufórica que não deu para esperar para ler a continuação.
"Não importa quem eu seja ou o que eu seja e nem o que o gabinete deseja. Você é o que importa para mim, Lia. Se já não sabe disso, encontrarei mais centenas de maneiras de mostrar os meus sentimentos a você. Eu a amo mais do que a um porto, mais do que a uma aliança, mais do que à minha própria vida. Seus interesses são os meus interesses."
O grupo consegue fugir de Venda, mas feridos e com o objetivo de chegar a um dos postos avançados de Dalbreck e Rafe poder, efetivamente, salvar Lia e torná-la sua rainha. Só que no meio da trajetória Kaden e Griz se encontram com eles que vem perseguindo a trilha de Lia, já que a ordem do Komizar foi pegarem a princesa viva ou morta. 
Lia, mais do que nunca, percebe que precisa voltar à Morrighan, pois teme que a cidade e a população seja massacrada pelo exército do Komizar, no entanto, quando chegam ao posto avançado de Dalbreck, Rafe e todo o seu grupo são surpreendidos pela notícia de que ele não é mais príncipe e sim rei. Uma enxurrada de problemas caem sobre sua cabeça e ele não concorda com a vontade de Lia voltar para Morrighan, onde é vista como traidora e seria enforcada.

Generais de Dalbreck encontram-se divididos diante do novo rei, pois eles achavam que ele não valorizava o reino já que passou tantos meses sumido, uma série de outros fatos dispostos no livro nos revelam uma situação caótica em todos os reinos e que algo grande e que estava escrito em profecias estava por vir. Algo sussurrado.
"O príncipe provavelmente era o menor dos meus medos. Era o medo do desconhecido. Eu estava com medo da impostura e do dom que pensava não ter. Estava com medo de todas as escolhas perdidas que eu nunca seria capaz de fazer e com medo de que, pelo resto da vida, alguém sempre estaria me dizendo que fazer, ou dizer, ou pensar, até mesmo quando eu tivesse melhores ideias próprias. Estava com medo de nunca ser algo além do que era adequado para os outros e de ser empurrada e cutucada até que me adequasse ao modelo para o qual eles me empurravam e de que eu me esquecesse de quem era e do que queria. E talvez, acima de tudo, tinha medo de que nunca fosse ser amada além do que um pedaço de papel havia ordenando que eu fosse."
Mesmo contra a vontade de Rafe, Lia volta para Morrighan com Kaden e se encontra com suas amigas e tentam descobrir toda a teia de traição e traidores do reino. Nada é fácil e todos estão em constante perigo. Por outro lado Rafe voltou para Dalbreck, mas encontra-se com os pensamentos em Lia e sabe que se algo acontecer com Morrighan, logo aconteceria com Dalbreck também. 

O fato é que tudo se conecta no final e tem uma grande e fenomenal guerra, rica em detalhes e sob a perspectiva de Lia, Rafe, Kaden e Pauline. Contudo, quanto mais eu lia e as páginas iam acabando eu ficava pensando: quando tudo isso vai se resolver? Acreditem: tudo que a escritora propôs desde o primeiro livro foi trabalhado e solucionado com uma grande manobra.
"A verdade é tão livre quanto o ar, e todos nós temos o direito de respirar tão a fundo quanto desejarmos. A verdade não pode ser contida na palma da mão de um único homem."
Definitivamente  a trilogia Crônicas de Amor e Ódio  se tornou uma das melhores fantasias que li no ano e uma das minhas favoritas, ou seja, sempre que eu tiver oportunidade estarei falando dela e indicando, no entanto, nem tudo são flores e toda flor tem seus espinhos, no caso dessa trilogia tenho dois pontos que não me agradaram e se tornaram algo espinhento, do meu ponto de vista.
O primeiro ponto que não gostei foi a falta de precisão e até mesmo coerência em relação ao passar do tempo, a escritora não queria ser precisa em relação ao passar dos dias (talvez por medo de cometer algum erro cronológico), no entanto ficou forçado, pois no primeiro livro sabemos que Lia e Pauline passaram semanas para chegar a Terravin e quando chegaram lá passaram vários meses para se adaptarem, daí é que vem a revelação de que Pauline estava grávida, ou seja, ela deveria estar com pelo menos um mês. O tempo passa, a vida segue em Terravin. Depois Lia é sequestrada por Kaden e passam meses viajando para Venda, isso é falado no texto, quando chega em Venda passam meses também. Posteriormente à fuga de Venda, Lia e Rafe passam pelo menos um mês para chegarem ao posto avançado e de lá para Morrighan é mais tempo ainda e quando chegam a Morrighan passam vários dias escondidas, até encontrar Pauline que - milagrosamente ainda estava grávida, ainda não tinha tido filho! - só que quando Lia ainda estava em Venda tinha pensado que Pauline estava perto de ter o bebê. Há uma incoerência, não acham?! Isso me incomodou muito, muito. Ou seja, tudo o que acontece no livro se passa em nove meses e o mais engraçado é que se analisarmos a história deveria se passar ao longo de pelo menos um ano e meio, já que foram meses e meses entre viagens e vivências em reinos diferentes. 

O outro fato que me incomodou em The Beauty of Darkness foi Kaden e Pauline, puxa Kaden era louco pela Lia, fez coisas que nunca pensou em fazer em prol desse amor, desse apego, mas em menos de um ano tudo mudou em poucos segundos e ele começou a olhar Pauline com outros olhos: justo a melhor amiga de Lia! PeloAmorDeDeus, não... Quer dar um final feliz para o Kaden e pra Pauline? Criasse personagens para ficar com eles ou desse mais tempo para essa história acontecer, né? Não engoli.
"Nós tínhamos encontrado o amor. Agora, no entanto, eu sabia que encontrar o amor e se prender a ele não eram a mesma coisa."
Mesmo com estes pontos, isso foi tão pouco diante de todo o resto da obra que MEU DEU DO CÉU, só sei AMAR essa trilogia, estes personagens!


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