Hoje venho falar de uma série que talvez não tenha tido o destaque que merecia, mas que entrega uma narrativa densa, perturbadora e extremamente interessante ao longo de suas três temporadas: Mr. Mercedes, adaptação da trilogia da Trilogia Bill Hodges de Stephen King que li há alguns anos e amei.
No final do ano maratonei a série completa e, resolvi reunir as três temporadas em um único post, posso dizer que Mr. Mercedes é uma obra que cresce, se transforma e arrisca, nem sempre com o mesmo impacto, mas sempre mantendo uma identidade própria e inquietante. Inclusive, acho válido frisar que a adaptação teve algumas alterações em relação aos livros, mas a gente entende que isso é necessário, pois o que às vezes funciona no livro nem sempre funciona bem nas telas, ou mesmo, há coisas no livro que podem ser modificadas para melhor o telespectador compreender o que está assistindo.
Eu aprovei todas as mudanças? Honestamente, de forma geral, sim, logo faz bastante tempo que li os livros, mas tem coisas que não vi necessidade para terem mudado, sabe?
Título Original: Mr. Mercedes (Season 1, 2, 3)
Anos: 2017, 2018 e 2019
Gênero: Drama, Suspense, Crime, Thriller Psicológico
País de Origem: Estados Unidos
Sinopse Geral: Após um atentado brutal em que um homem atropela dezenas de pessoas com um carro roubado, o detetive aposentado Bill Hodges passa a ser provocado pelo assassino, conhecido como Mr. Mercedes. O que começa como uma caçada policial se transforma em um jogo psicológico intenso, onde obsessão, culpa e trauma se tornam armas tão perigosas quanto a violência física.
UMA SÉRIE QUE VAI ALÉM DO CRIME E MERGULHA NA MENTE HUMANA
Embora Mr. Mercedes seja vendida inicialmente como uma série policial, ela rapidamente deixa claro que seu maior interesse não está apenas no “quem fez”, mas no “por quê”.
Stephen King, aqui, se afasta do horror sobrenatural tradicional e aposta em algo talvez ainda mais perturbador: a crueldade real, psicológica e cotidiana, ainda com doses sobrenaturais ou mesmo de ficção científica.
A série constrói uma atmosfera pesada, muitas vezes desconfortável, explorando temas como depressão, solidão, obsessão, violência, manipulação e o vazio existencial, tanto do criminoso quanto daqueles que tentam detê-lo.
PRIMEIRA TEMPORADA: O JOGO PSICOLÓGICO COMEÇA
A primeira temporada é, sem dúvida, a mais impactante. Aqui somos apresentados a Bill Hodges, um detetive aposentado, solitário e emocionalmente esgotado, e a Brady Hartsfield, um vilão perturbador, frio e inquietantemente real.
O grande mérito dessa temporada está na construção do antagonista: Brady não é apenas um assassino, mas um personagem profundamente doente, manipulador e imprevisível. A série nos força a encará-lo de frente, sem romantizar suas ações, mas também sem simplificá-lo.
O ritmo é envolvente, o suspense é constante e o embate entre Bill e Brady sustenta a narrativa com muita força. É uma temporada tensa, desconfortável e extremamente eficaz. No meu ponto de vista, a primeira temporada foi a MELHOR, a propósito, que atores incríveis!
SEGUNDA TEMPORADA: RISCO, MUDANÇA DE TOM E EXPANSÃO
A segunda temporada ousa mudar de direção. Com Brady fora do papel tradicional de vilão ativo, a série passa a explorar novos tipos de ameaça, incluindo o fanatismo, a influência psicológica e o efeito devastador da violência na mente humana.
Essa escolha divide opiniões, e com razão. O ritmo se torna mais irregular, e a narrativa perde parte da tensão direta da temporada inicial.
Por outro lado, a série ganha profundidade ao mostrar como o mal não se encerra com a captura do criminoso, mas continua reverberando nas vítimas, nos sobreviventes e até na sociedade.
Não é uma temporada tão empolgante quanto a primeira, mas é corajosa e conceitualmente interessante, a essência dos livros ainda está aqui e as atuações também são sensacionais. Os atores entregam muito! Além disso, o final é chocante, né?
TERCEIRA TEMPORADA: UM RETORNO AO CLIMA DE AMEAÇA
A terceira temporada busca equilibrar as duas anteriores, trazendo novamente um foco maior no suspense e em um antagonista mais direto. Aqui, Mr. Mercedes retorna ao clima de perigo iminente, mas com personagens já profundamente marcados por tudo o que viveram.
Bill Hodges, especialmente, se mostra mais cansado, mais humano e mais frágil, o que dá um peso emocional maior às suas decisões.
Ainda que não alcance o impacto da primeira temporada, a terceira entrega uma conclusão coerente, sombria e fiel ao espírito da série, sem contar que traz mais ação do que a segunda temporada e muitas, muitas cenas perturbadoras.
PRODUÇÃO, ATMOSFERA E ATUAÇÕES
A série mantém uma direção sóbria e uma fotografia que reforça o clima opressivo da narrativa. Não há excessos estéticos: tudo é funcional, frio e, muitas vezes, desconfortável, exatamente como a história pede.
Destaque absoluto para Brendan Gleeson, que entrega um Bill Hodges melancólico, cínico e profundamente humano.
Já Harry Treadaway, como Brady, oferece uma das atuações mais perturbadoras da série, especialmente na primeira temporada, conseguindo causar repulsa sem cair na caricatura.
O elenco de apoio também contribui bem para a construção desse universo pesado e emocionalmente desgastante.
VEREDITO
Mr. Mercedes é uma série densa, incômoda e profundamente psicológica, que pode não agradar a todos justamente por se recusar a ser fácil, confortável e até mesmo pautada cem por cento na realidade.
Suas três temporadas não mantêm o mesmo nível de impacto e nem o mesmo ritmo, mas juntas constroem uma narrativa consistente sobre obsessão, trauma e os diferentes rostos do mal.
Considero esta uma adaptação sólida dos livros de Stephen King, que prova que, às vezes, o verdadeiro horror não precisa de elementos sobrenaturais para ser eficaz.
Espero que tenham gostado do veredito, até a próxima postagem e não deixem de conferir a série, caso ainda não tenham assistido!



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