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A Casa dos Espíritos (2026) (Série)

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Saudações, Leitores!

Estou com a história do livro A Casa dos Espíritos de Isabel Allende bem "fresca" na minha cabeça, pois o li recentemente para poder conferir a série e, apesar de ter gostado, confesso que foi uma leitura que me exigiu o mês inteiro.  De qualquer maneira estava empolgada para conferir a adaptação para série da Prime Vídeo, pois eu sei que esse livro já foi adaptado anteriormente em filme (acho que estou curiosa para assistir também). O que achei dessa série vou contar neste post!

Título Original: La Casa de Los Espíritus (1ª temporada)
Ano: 2026
Direção: Andrés Wood. Francisca Alegria
Duração: 480 minutos (8 episódios)
Classificação: + 18 anos
Gênero: Drama. Realismo Mágico.
País de Origem: Chile
Minha Avaliação: ⭐⭐⭐

Sinopse: Ao longo de um século, a família Trueba enfrenta amores secretos, revolução e conflito de gerações entre o patriarca tirânico e sua neta, em um cenário de violenta agitação social.

Contextualizando A Casa dos Espíritos

No livro A Casa dos Espíritos temos uma história que se passa ao longo de meio século e a adaptação para a série tem 8 episódios o que, ao meu ver pode ter permitido um maior aprofundamento das nuances do livro do que se ao invés da série fosse um filme.

Aqui vamos acompanhar majoritariamente a história da família Trueba em um pais que não é mencionado o nome, mas supostamente é o Chile, de qualquer maneira, ao acompanhar essa família que tem forte influência no país vamos ficando a par de acontecimentos históricos, políticos e sociais que acontecem ali como as eleições, a reforma agrária, o golpe militar que se entrelaça à história dos Trueba.

Apesar de acompanharmos Esteban Trueba em várias etapas da vida, a maior  volubilidade que acompanhamos são as mulheres que estão ao seu lado, pois ao longo dos episódios percebemos o enfoque, primeiro em Rosa, seguida por Clara, depois Blanca e por fim Alba.

Outro aspecto que encontramos nessa série e livro é a parte do realismo mágico, a presença de espíritos, objetos que se mexem sozinhos, uma áurea de premonição e previsão espiritual que requer um pouco de suspenção de crenças ao longo dos anos é muito viva.

A Fidelidade vs A Essência

Sem dúvida A Casa dos Espíritos é uma história multigeracional e neste aspecto a série soube ser fiel ao livro.

Além disso, sendo uma série que mistura política, conflitos de classe e misticismo fiquei receosa sobre como isso seria mostrado na adaptação, mas creio que os diretores souberam encontrar um equilíbrio para manter a fidelidade à obra de origem e, creio, que isso se deve também a participação da autora na produção.

Vale ressaltar também que a essência do livro está toda na adaptação em série: tanto na linha narrativa, quanto na ambientação, fotografia, cenografia e vestuário dos personagens. Ao assistir eu simplesmente consegui perceber o livro todo ali.

Aí você me pergunta: então a série foi 100% fiel? A resposta é NÃO, vamos entrar num consenso: uma adaptação quase nunca é 100% fiel. 

Só para elencar algumas mudanças: enquanto, no livro, Clara tem dois filhos homens, a série resolveu nos colocar apenas um e acredito que foi o acertado, pois em 8 episódios não teria "espaço" para desenvolver tantos personagens.

Inclusive essa também é uma mudança em relação ao livro: no livro temos o desenvolvimento bem melhor de todos os personagens apresentados: desde a própria Rosa (que ia casar com Esteban e é irmã de Clara), Clara na infância, Férula (irmã de Esteban), entre vários outros personagens que no livro são mais explorados, inclusive de cenas que no livro são descritas com maior crueza, na série foi omitido.

Porém reforço, as mudanças que houveram foram necessárias para comportar e abranger nos 8 episódios da série e não prejudicaram a essência do livro.

Sobre o elenco e atuações

Esse é um dos pontos mais sensíveis, não porque as atuações foram ruins, de maneira nenhuma, eu gostei das atuações, inclusive Alfonso Herrera como Esteban Trueba foi sensacional, mostrando que o ator é, de fato, multifacetado.

A minha maior queixa é que foi mais de 50 anos sendo contados nessa série e o ator Alfonso Herrera percorreu todos eles, sofrendo transformações na aparência para que passasse pelo processo de envelhecimento e perpassasse TODOS os episódios como o personagem Esteban Trueba, ou seja, em várias etapas de vida do personagem, todas elas foram interpretadas por Alfonso.

Em contrapartida, esse mesmo recurso de "transformações" de um ator não foram utilizados por todos. Isso pesou bastante na incoerência gerando em mim falta de conexão com os personagens.

Por exemplo: alguns dos atores continuaram os mesmos, como a Pancha Garcia (a mulher que Esteban estuprou), interpretada por Noelia Coñuenao ela não teve a aparência tão alterada, nem mesmo para dizer que o tempo passou, sendo que ela já tinha um filho adulto. e permaneceu com a mesma cara de novinha. Tem alguns outros exemplos assim, em que os atores permanecem, mas as alterações para remeter a passagem do tempo são insignificantes... 

Enquanto isso Esteban vai ficando mais e mais caquético a cada episódio... Acho que ele foi envelhecendo por todos os outros personagens que não envelheciam na série (rsrsrs)

Outro ponto de incomodo é o fato de Clara, Blanca e Alba, em cada fase da vida ter sido substituida por várias atrizes, justamente para contemplar o envelhecimento da personagem (a atriz não permaneceu e passou por transformações estéticas como aconteceu com Alfonso Herrera), preferiram substituir e, para mim isso me distanciou tanto: simplesmente não consegui me conectar a nenhuma das atrizes que fizeram os papéis das personagens em várias etapas da vida. 

Faço apenas uma observação em relação a ultima atriz que fez o papel de Clara, enquanto ela permanecia "nova" e a passagem do tempo se deu apenas pela mudança da cor dos cabelos para completamente brancos, seu marido Esteban Trueba estava deprimentemente acabado... Foi um contraste que me incomodou. Fico pensando porque as atrizes foram alteradas, ou não foram transformadas enquanto Herrera teve o privilégio de ser o ator que acompanharia toda a vida do personagem

Já ponderei se na série pode ter sido uma escolha técnica para ser um dos aspectos do realismo mágico incrustrado na história, se esse foi o caso, isso já seria uma alteração em relação à obra, pois no livro isso não existe.

A experiência do Leitor vs. Espectador

Na resenha do livro A Casa dos Espíritos  falei que gostei do volume e inclusive o favoritei, mas também ressaltei que foi uma leitura mais densa e arrastada, demorei bastante para finalizar o volume e nesse ponto é onde reside minhas considerações a respeito da experiência de leitora e de espectadora.

Enquanto eu assistia a série a sensação que tive, mesmo sendo apenas 8 episódios, foi de um ritmo mais lento, semelhante ao que senti no livro. Demorei para finalizar os 8 episódios, sabe?

Já vi na internet pessoas dizendo que maratonaram de uma sentada só, mas minha experiência foi adversa, eu só conseguia assistir um episódio por dia e em alguns dias só assistia metade de um episódio para finalizá-lo no dia seguinte. Foi uma série que não tive vontade de assistir todos os episódios de uma vez, mas aos poucos, como se eu precisasse de tempo para absorver e relembrar do livro, sabe?

Então, em minha opinião, quem leu o livro e assiste a série deve ter sensações semelhantes, porém a série é uma experiência mais rápida, enquanto o livro é uma experiência mais premium, pois vem mais completa e recheada de detalhes que a série não conseguiu alcançar.

Agora me conta: Você já assistiu? Já leu? Quer ver? Quer ler?

Obrigada por ler até aqui e até a próxima postagem!

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