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Dezenove Minutos - Jodi Picoult (resenha)

quarta-feira, 8 de julho de 2026

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Dezenove Minutos discute bullying, exclusão social, amizade, maternidade, violência, culpa, responsabilidade, saúde mental, pressão social e as difíceis fronteiras entre vítima e agressor.

Saudações, Leitores!

Dezenove Minutos (Nineteen Minutes, 2007) é um romance da escritora norte-americana Jodi Picoult, autora reconhecida por construir histórias que exploram dilemas éticos, morais e sociais de enorme complexidade. Entre suas obras mais conhecidas estão alguns volumes que já li como: A Guardiã da Minha Irmã, As Vozes do Coração, Coração de MãeUm Mundo à Parte. Em seus livros, Picoult costuma partir de situações extremas para discutir a natureza humana, e em Dezenove Minutos ela faz isso de maneira brilhante ao abordar um dos temas mais delicados e atuais da sociedade: a violência nas escolas.

A história começa quando Peter Houghton, um adolescente constantemente alvo de bullying desde a infância, entra armado em sua escola e, em apenas dezenove minutos, muda para sempre a vida de uma pequena cidade ao matar e ferir diversas crianças/adolescentes e profissionais da instituição. 

A partir desse acontecimento, acompanhamos a investigação que vai interligar e reconstruir a histórias de diferentes personagens: Peter, sua mãe Lacy, o detetive Patrick, Josie Cormier e sua mãe, a juíza Alex Cormier e tantos outros vão revelando diferentes perspectivas sobre tudo o que levou àquela tragédia, nos apresentando uma teia complexa e cheia de camadas devastadoras.

Mais do que um livro sobre um massacre escolar, Dezenove Minutos discute bullying, exclusão social, amizade, maternidade, violência, culpa, responsabilidade, saúde mental, pressão social e as difíceis fronteiras entre vítima e agressor. Jodi Picoult constrói uma narrativa que constantemente desafia o leitor a abandonar julgamentos rápidos. Aos poucos, percebemos que ninguém ali pode ser resumido a um único rótulo. Há dores silenciosas, omissões, escolhas, negligências e consequências que atingem absolutamente todos os envolvidos.

Essa foi uma daquelas leituras que deixam marcas. É um livro extraordinariamente pesado, angustiante e, ao mesmo tempo, extremamente bem desenvolvido. Durante toda a leitura me vi refletindo sobre dicotomias difíceis: justiça e injustiça, certo e errado, bem e mal, amor e ódio, toda a nossa vida somos levados a crer que o ser humano precisa estar em um dos lados, mas quando crescemos percebemos o quão difícil é ser apenas uma coisa. Não dá para estar "preso" numa caixa o tempo todo. Talvez esse seja o maior mérito da autora: ela não oferece respostas fáceis para questões que simplesmente não são fáceis. 

Como sou educadora, foi impossível não pensar no quanto o bullying ainda é um problema profundamente complexo e, muitas vezes, naturalizado dentro das escolas. Sim, há casos de negligência, mas também existem situações que acontecem longe dos olhos dos adultos, entre corredores, olhares, palavras e pequenos gestos que vão se acumulando ao longo dos anos. É impossível controlar absolutamente tudo, e talvez seja justamente essa impotência que torne o tema tão doloroso. Também fiquei pensando em como muitas pessoas assistem às violências acontecerem sem intervir. Nem sempre quem agride é o único responsável; há também aqueles que silenciam, riem, incentivam ou simplesmente fingem não ver. 

No entanto, se existe um ponto que não me convenceu completamente foi o desfecho envolvendo uma determinada revelação sobre Josie. Entendi a intenção narrativa e os desdobramentos que ela provoca, mas achei essa escolha um pouco forçada. Para mim, o livro já era suficientemente poderoso sem precisar daquele elemento específico. Ainda assim, isso está longe de diminuir a força da obra. O final permanece amargo, desesperançoso e profundamente coerente com a história que Jodi Picoult decidiu contar. Nem toda narrativa precisa terminar oferecendo conforto, porque infelizmente nem toda tragédia oferece.

Outro ponto que me deixou um pouco cansada durante a leitura foram os capítulos enormes, embora tivessem diversos "respiros", é cansativo ler, ler e não parecer avançar nas páginas. Particularmente eu prefiro, durante a leitura, me deparar com capítulos com extensão equilibrada.

Recomendo Dezenove Minutos para leitores que apreciam dramas psicológicos, romances contemporâneos e histórias que provocam profundas reflexões sociais. É uma leitura especialmente interessante para professores, educadores, psicólogos, estudantes e pais, justamente porque convida a pensar sobre a violência escolar de maneira muito mais ampla do que normalmente fazemos. Ademais, a autora não joga a culpa em ninguém, não nos apresenta um único e verdadeiro vilão, mas mostra que tragédias são frutos de um acúmulo de pequenas negligências/fatores e, na grande maioria das vezes, não termos um único vilão, mas diversas corresponsabilidades. 

Espero que esta resenha tenha despertado sua curiosidade para conhecer esta obra tão impactante. Muito obrigada por acompanhar mais uma leitura comigo e até a próxima postagem!

FICHA TÉCNICA
Título Original: Nineteen Minutes
Autor: Jodi Picoult
Tradutor: Regiane Winarski
Gênero: Ficção. Drama.
Editora: Verus
Ano: 2007 - 2013 | 546 págs.
País de Origem: Estados Unidos
Classificação: +15
Aviso de Conteúdo: Violência Extrema nas Escolas. Bullying. Acidente. Negligência. Aborto espontâneo. Abandono parental. Massacre em Escola. Suicídio. Depressão.
Minha avaliação: 
⭐⭐⭐⭐⭐♥️ (5/5)
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