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Hibisco Roxo - Chimamanda Ngozi Adichie (resenha)

segunda-feira, 13 de julho de 2026

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Hibisco Roxo é um livro potente que nos faz ver que a opressão pode estar em todo lugar e em todas as relações

Saudações, Leitores!

Já fazia tanto tempo que queria ler Hibisco Roxo (Purple Hibiscus, 2003), romance de estreia da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, uma das vozes mais importantes da literatura contemporânea africana. Conhecida por sua escrita sensível e por abordar questões sociais, políticas e culturais, Chimamanda também é autora de outros livro que resenhei por aqui: Sejamos Todos Feministas, Para Educar Crianças Feministas, No Seu PescoçoAmericanah, O Perigo de Uma História Única e Notas Sobre o Luto. Em Hibisco Roxo, a autora já demonstra toda a força de sua narrativa ao construir uma história intimista, dolorosa e profundamente humana.

A protagonista é Kambili Achike, uma adolescente que vive com o irmão Jaja, a mãe Beatrice e o pai Eugene, um empresário muito rico e extremamente respeitado pela comunidade. À primeira vista, a família parece perfeita, mas, dentro de casa, a realidade é completamente diferente. Eugene impõe uma rotina rígida, marcada pelo fanatismo religioso, pelo controle absoluto e por diferentes formas de violência física e psicológica. Quando Kambili e Jaja passam um período na casa da tia Ifeoma, começam a conhecer uma realidade completamente diferente daquela em que cresceram.

Ao longo da narrativa, Chimamanda aborda temas como violência doméstica, abuso psicológico, fanatismo religioso, colonialismo, identidade, amadurecimento, liberdade, relações familiares e a instabilidade política da Nigéria. Tudo isso é contado sob o olhar delicado e silencioso de Kambili, que vai descobrindo, aos poucos, que existem outras formas de viver, acreditar, amar e construir uma família. É um romance de formação, mas também uma crítica poderosa às estruturas de poder que se escondem dentro dos próprios lares.

O que mais me marcou em Hibisco Roxo foi justamente a maneira como a autora retrata a religião quando ela deixa de ser acolhimento e passa a ser instrumento de opressão. É impossível não sentir um enorme desconforto acompanhando a rotina daquela família. Eugene acredita estar agindo em nome da fé, mas transforma a religião em mecanismo de medo, culpa e violência. E talvez seja esse o maior mérito do livro: mostrar que o problema não está na fé em si, mas na forma como ela pode ser distorcida para justificar abusos e controlar pessoas. Chimamanda escreve com uma delicadeza impressionante, sem recorrer a exageros ou cenas apelativas. O silêncio de Kambili diz tanto quanto suas palavras, e isso torna a leitura ainda mais impactante. Foi um livro que me incomodou do começo ao fim e esse desconforto é exatamente o que o torna tão potente.

Minha maior queixa em relação a Hibisco Roxo é com o final que, para mim, foi precipitado, mesmo que bem possível, mas que me machucou bastante por conta da carga dramática envolvendo a mãe Beatrice e Jaja, eu realmente não gostei da forma como foi, teria uma saída menos dolorosa da opressão devido às questões políticas efervescentes, mas a escolha da autora foi para judiar não só dos personagens, mas do leitor. Depois de tudo eu achei injusto, mas se colocássemos essa história no plano real, o fim apresentado no livro talvez fosse o mais coerente.

Recomendo Hibisco Roxo para leitores que apreciam romances contemporâneos, dramas familiares e histórias que exploram questões culturais, sociais e psicológicas com profundidade. Também é uma excelente porta de entrada para conhecer a escrita de Chimamanda Ngozi Adichie. É uma leitura sensível, reflexiva e, ao mesmo tempo, difícil, justamente por tratar de temas tão delicados com enorme responsabilidade.

Espero que esta resenha tenha despertado sua curiosidade para conhecer esta obra tão marcante. 

Muito obrigada por ler até aqui e até a próxima postagem!

FICHA TÉCNICA
Título Original: Purple Hibiscus
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Tradutor: Julia Romeu
Gênero: Ficção. Drama.
Editora: Verus
Ano: 2003-2011 | 328 págs.
País de Origem: Nigéria
Classificação: +16
Aviso de Conteúdo: Abuso doméstico. Abuso infantil. Abuso físico. Abuso psicológico. Aborto espontâneo. Morte dos pais. Violência doméstica. Intolerância religiosa. Fanatismo. 
Minha avaliação: 
⭐⭐⭐⭐⭐ (5/5)
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