As Horas Frágeis foi uma leitura que me tocou profundamente
Saudações, Leitores!
As Horas Frágeis (Les Heures Fragiles, 2025) é um romance da escritora francesa Virginie Grimaldi. A autora conquistou muitos leitores com suas histórias sensíveis, que exploram as relações humanas, os laços familiares, as perdas e as possibilidades de recomeço. Entre suas obras publicadas no Brasil estão O Que Resta de Nós, Tempo de Reacender Estrelas e Uma Vida Bela. Como já havia lido O Que Resta de Nós, fiquei com vontade de conhecer outros livros da autora, e posso dizer que esta leitura me comoveu profundamente.
A história acompanha Lou, uma adolescente de 16 anos que enfrenta o primeiro amor, as dores de crescer e uma ansiedade que vai muito além dos dilemas comuns da juventude. Ao mesmo tempo, conhecemos Diane, sua mãe, que precisa lidar com o fim do relacionamento com Seb e com as próprias feridas do passado. Quando percebe que a filha está sofrendo muito mais do que imaginava, Diane tenta ajudá-la, mas acaba sendo obrigada a revisitar lembranças das quais gostaria de fugir.
Confesso que me vi em Lou em vários momentos. Minha ansiedade começou na juventude e, embora eu não tenha vivido as mesmas experiências que ela, reconheci alguns sentimentos que tornam essa fase tão difícil. Também me identifiquei muito com Diane. Afinal, como equilibrar filhos, relacionamento, responsabilidades e as marcas que o passado deixou? E quando alguém muito querido tira a própria vida, ficam feridas, perguntas e sentimentos que nem sempre sabemos como administrar. Os pensamentos sombrios são complicados e, por vezes, difíceis de evitar.
Achei bonita e responsável a maneira como Virginie Grimaldi aborda a saúde mental, a ansiedade, o sofrimento adolescente e as relações familiares. A autora não trata a dor como algo simples de resolver e nos lembra da importância de olhar para além do que as pessoas demonstram. Entretanto, deixo um alerta: se esses temas são sensíveis para você, a leitura pode ser bastante difícil e até desencadear sentimentos dolorosos. Apesar da delicadeza da narrativa, não é um livro emocionalmente leve, eu tive certa dificuldade em lidar com essa história por conta dos gatilhos.
Um ponto que me incomodou em As Horas Frágeis foi o ritmo. No início, a história tem um fluxo muito bom e me envolveu bastante, mas, quando Lou é internada e Diane retorna à cidade natal para confrontar o passado, a narrativa fica mais lenta. Entendo que essa mudança é importante para aprofundar os personagens e preparar as revelações, mas senti a quebra no ritmo. Ainda assim, a autora conseguiu me enganar com os diários e construir um plot twist que me surpreendeu, mesmo que o caminho até ele tenha sido um pouco arrastado.
No fim, As Horas Frágeis foi uma leitura que me tocou justamente por falar de dores que nem sempre são visíveis e de como o passado pode interferir no presente. Gostei da sensibilidade da autora e da forma como ela construiu as relações entre mãe e filha, mostrando que amar alguém nem sempre significa saber como ajudá-lo. É uma história sobre fragilidade, sofrimento, acolhimento e a difícil tarefa de continuar vivendo mesmo quando a vida parece pesada demais.
Também gostei muito da forma como a autora trabalhou a relação de Diane com o marido Seb, como uma relação tem seus altos e baixos e que nem sempre um feliz para sempre é sempre feliz, mas pode acontecer dúvidas e incertezas, pode exigir um realinhamento de expectativas e sentimentos. Em outras palavras, temos um relacionamento real sendo destrinchado nessas páginas, mesmo ele não sendo o foco.
Mesmo diante disso, eu também preciso mencionar que o volume não é perfeito e além da narrativa ficar mais lenta, algumas coisas ficam na superficialidade, por exemplo a relação de Lou com o pai e de Diane com o ex-marido, é complicado a Lou estar passando por tanta coisa e o seu pai ficar tão a margem e Seb (o padrasto estar mais presente), sei que existem arranjos familiares diferentes, mas Lou tinha contato com o pai então eu queria entender como ele não participou dessa dor da filha e porque ele não a ajudou, porque foi tão pouco mencionado.
Em suam, recomendo As Horas Frágeis, mas com a ressalva de que é preciso estar emocionalmente preparado para os temas abordados.
Espero que tenha gostado da resenha, obrigada por ler e até a próxima postagem!
| FICHA TÉCNICA |
| Título Original: Les Heures Fragiles Autor: Virginie Grimaldi Tradutor: Julia da Rosa Simões Gênero: Ficção. Romance. Editora: Gutemberg Ano: 2025-2026 | 256 págs. País de Origem: França Classificação: +16 Aviso de Conteúdo: Depressão. Ansiedade. Ataque de Pânico. Ideação Suicida. Suicídio. Chantagem psicológica. Luto. Conflitos Familiares. Minha avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐❤️ (5/5) |

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