Ler Anne da Ilha foi lembrar que a vida muda enquanto estamos vivendo e que, muitas vezes, só percebemos a importância de determinadas coisas quando elas já ficaram para trás
Saudações, Leitores!
Anne da Ilha (Anne of the Island, 1915) é o terceiro volume da série Anne de Green Gables, da escritora canadense Lucy Maud Montgomery. Depois de acompanhar Anne na infância e na adolescência, chegamos agora a uma fase completamente diferente: Anne cresceu, deixa Green Gables e parte para estudar na universidade, no Redmond College, na cidade de Kingsport. E talvez seja justamente por isso que este livro tenha mexido tanto comigo: ver a Anne crescer é maravilhoso, mas também é uma experiência cheia de nostalgia, porque não tem como não me lembrar das emoções e inseguranças que vivi também fazendo faculdade em outra cidade.
Lembrando que temos resenha dos volumes anteriores, fiquem curiosos e confiram as resenhas também: Anne de Green Gables e Anne de Avonlea.
Anne finalmente vai para a faculdade e começa a viver uma experiência de independência que sempre desejou. No primeiro ano, ela e as amigas ficam hospedadas em um residencial, mas depois surge a oportunidade de morar na "Casa de Patty", uma casinha encantadora próxima à universidade que tem uma aparência acolhedora no meio da "evolução" da cidade. Anne, Priscilla, Stella e Philippa passam a dividir a casa e, com a presença de uma tia mais velha como responsável por elas, começam a experimentar uma vida muito mais adulta, cheia de responsabilidades, amizades, conversas, estudos e, claro, algumas confusões, bem como dilemas com namorados e casamentos.
Enquanto Anne cresce, a vida também continua acontecendo com as pessoas que ficaram em Avonlea e a gente consegue acompanhar o que se passa por lá através de cartas e nos períodos das férias em que volta para Green Gable. É assim que sabemos que Diana se casa, Jane parte para o Oeste e, talvez uma das partes que mais me doeu, Ruby Gillis adoece e morre ainda muito jovem e cheia de sonhos (isso partiu meu coração e eu até chorei nessa parte). A morte de Ruby é um daqueles momentos em que o livro deixa de ser apenas uma história gostosa sobre juventude e nos lembra que crescer também significa descobrir que algumas pessoas não estarão presentes em todas as fases da nossa vida.
Depois ainda temos Anne tentando entender seus próprios sentimentos, o pedido de casamento de Gilbert, sua recusa e o relacionamento com Roy Gardner. Os anos da universidade passando e a Anne finalmente descobrindo que nem sempre aquilo que imaginamos ser o amor é realmente amor. Ou que o amor está onde menos esperamos. Ver Gilbert e Anne apaixonados, mas dando liberdade um para o outro viverem suas experiências e descoberta foi incrível. Ver os dois descobrindo que se amavam e sentindo ciúmes foi maravilhoso.
Amei Anne da Ilha e acho que este volume entrou para os meus favoritos da série. Mas o que mais me pegou foi a nostalgia. Pensei em tantas coisas que mudaram na minha própria vida e que só percebi o quanto amava depois de crescer: As férias na casa dos meus avós, quando tios, tias e primos se reuniam e a casa ficava cheia... Hoje mal conseguimos reunir dois ou três tios e, quando penso nos primos, fica ainda mais difícil. Que saudade! Também sinto falta daquele "ter tempo" para imaginar histórias, inventar brincadeiras, criar jogos, conversar sobre filmes, séries e livros na calçada.
Anne da Ilha fala muito sobre isso sem necessariamente precisar dizer: crescer é maravilhoso, mas também significa perceber que algumas coisas não voltarão a ser como antes. E acompanhar Anne descobrindo isso foi lindo. Há uma melancolia muito bonita no livro, principalmente porque percebemos que ela continua sendo aquela Anne que amamos, mas já não é mais a mesma menina. E talvez nós também não sejamos mais as mesmas pessoas que éramos quando começamos essa série.
Recomendo muito Anne da Ilha, principalmente para quem já acompanha os volumes anteriores, porque aqui a transformação da personagem é ainda mais evidente. Para quem gosta de histórias sobre amadurecimento, amizade, primeiras experiências amorosas, faculdade e aquela passagem delicada entre juventude e vida adulta, acredito que será uma leitura especial. Para mim, foi mais do que acompanhar Anne na faculdade: foi lembrar que a vida muda enquanto estamos vivendo e que, muitas vezes, só percebemos a importância de determinadas coisas quando elas já ficaram para trás.
Espero que tenham gostado de acompanhar mais uma etapa da história da Anne comigo. Muito obrigada pela leitura e até a próxima postagem!
| FICHA TÉCNICA |
| Título Original: Anne of the Island Autor: L. M. Montgomery Tradutor: Anna Maria Dalle Lunche Gênero: Ficção. Infantojuvenil Editora: Martin Claret Ano: 1915-2020 | 368 págs. País de Origem: Canadá Classificação: +14 Aviso de Conteúdo: Tuberculose. Acidente. Luto. Morte de Jovens. Morte de Idosos. Minha avaliação: ⭐⭐⭐⭐⭐♥️ (5/5) |

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