A Cruz de Fogo é sobre amor e sobrevivência em um tempo que se delineia uma revolução
Saudação, Leitores!
Eu sempre penso que vou ficar lendo Outlander um livro após o outro, mas nunca consigo porque são livros intimidantes, mesmo quando sei que a história é encantadora eu fico receosa de iniciar, mas depois de anos sem ler, resolvi dar continuidade ao volume seguinte de onde parei (pensei em reler os volumes que já tinha lido para relembrar, mas acho que seria uma empreitada que eu poderia não levar para frente, então resolvi apenas continuar) com A Cruz de Fogo, Parte 1 (The Fiery Cross, 2001), o quinto volume da série, escrita pela norte-americana Diana Gabaldon. Publicado originalmente nos Estados Unidos em 2001, o livro foi dividido em duas partes na edição brasileira. E aqui estou eu novamente retornando ao universo de Claire e Jamie, uma história que amo e que, mesmo depois de tantos volumes, continua tendo personagens capazes de me fazer sentir que estou reencontrando velhos conhecidos, pois sei o que eles passaram para chegar até aqui.
Aqui quero só reforçar que tenho resenha dos volumes anteriores: A Viajante do Tempo, A Libélula no Âmbar, O Resgate no Mar, Parte I e Parte II e Os Tambores do Outono, Parte I e Parte II, fiquem a vontade para conferirem.
Em A Cruz de Fogo, Parte 1, Claire e Jamie estão estabelecidos na Cordilheira dos Fraser, na Carolina do Norte, tentando construir uma vida ao lado da família e das pessoas que passaram a fazer parte daquela comunidade. Brianna e Roger finalmente se casam e começam a construir sua própria família ao lado do pequeno Jemmy. Porém, a tranquilidade está longe de durar: Jamie recebe do governador a missão de formar uma milícia para combater os Reguladores, justamente quando as tensões políticas começam a crescer e a Revolução Americana se aproxima.
Enquanto Jamie precisa lidar com suas obrigações e com o conflito entre aquilo que deve fazer e aquilo que sabe que está por vir, Claire continua exercendo seu papel de curandeira, utilizando seus conhecimentos do século XX para ajudar as pessoas ao seu redor. Brianna tenta se adaptar à vida no século XVIII e à maternidade, enquanto Roger precisa encontrar seu próprio lugar naquela família e naquele mundo tão diferente daquele em que nasceu. E ainda temos o retorno de Stephen Bonnet, além de novos personagens e conflitos que vão tornando a vida dos Fraser cada vez mais complicada.
Aqui temos uma narrativa bastante doméstica, com o dia a dia dos personagens tentando reconstruir suas vidas no continente americano ao passo que intrigas e conflitos vão aparecendo e alguns eventos perturbadores que parecem estar ligados a algo maior que ao que tudo indica será a revolução. Fiquei bastante ansiosa pelo receio do que poderia acontecer, quais baixas teríamos durante a narrativa, sobretudo quando Jamie teve que formar uma milícia que não era composta apenas por adultos, mas muitos jovens e todos com o espírito de honra e tradição escocesa, A cena e a simbologia da Cruz de Fogo é linda, mágica e ao mesmo tempo um pouco macabra... Nem sei explicar direito, só sentir.
O que mais gostei em A Cruz de Fogo, Parte 1 foi justamente poder matar a saudade. É maravilhoso retomar uma história que amo e reencontrar Claire, Jamie, Brianna, Roger e todos aqueles personagens que já conhecemos tanto. Outlander tem essa capacidade de criar uma sensação de pertencimento, como se estivéssemos voltando para um lugar conhecido. Minha única dificuldade é que demoro muito para ler as continuações e, por isso, acabo esquecendo informações importantes! Quando começo um novo volume, lembro muito bem dos personagens e dos acontecimentos mais marcantes, mas alguns detalhes ficam perdidos pelo caminho e preciso ir recuperando aos poucos. Ainda assim, A Cruz de Fogo me ajudou justamente nisso: a voltar para esse universo, recordar acontecimentos e, principalmente, matar a saudade desses personagens, porém acho que seria muito legal se no início de cada volume houvesse uma breve recapitulação dos volumes anteriores.
Também percebi que este volume tem um ritmo um pouco diferente dos anteriores. Há bastante espaço para o cotidiano na Cordilheira dos Fraser, para a construção daquela comunidade e para os relacionamentos entre os personagens, enquanto os conflitos históricos começam a ganhar cada vez mais força. E gosto dessa mistura, porque Outlander nunca foi apenas sobre viagem no tempo ou romance. É também sobre família, sobrevivência, política, guerra, escolhas e sobre tentar construir uma vida em meio a acontecimentos históricos que ninguém consegue controlar, mesmo quando se sabe o que vai acontecer.
Para quem já acompanha Outlander, acredito que A Cruz de Fogo seja uma leitura indispensável, principalmente para continuar acompanhando o amadurecimento dos personagens e a aproximação de acontecimentos históricos que sabemos que serão decisivos. Para mim, foi uma leitura muito gostosa justamente por poder voltar a uma história que amo. Agora é torcer para não demorar tanto até a próxima parte que pretendo fazer ainda este ano (vou cruzar os dedos)
Espero que tenham gostado de mais uma viagem pelo universo de Outlander. Muito obrigada por ler e até a próxima postagem!
| FICHA TÉCNICA |
| Título Original: The Fiery Cross Autor: Diana Gabaldon Tradutor: Carolina Caires Coelho Gênero: Ficção. Romance Histórico. Editora: Arqueiro Ano: 2001-2017 | 720 págs. País de Origem: Estados Unidos Classificação: +15 Aviso de Conteúdo: Assassinato. Envenenamento. Assédio. Morte. Doenças. Dissecação de cadáver Minha avaliação: ⭐⭐⭐⭐ (4/5) |
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