Resenha: "Uma História de Solidão" de John Boyne

Saudações Leitores!
Como fã de John Boyne eu precisava conferir seu livro recém lançado no Brasil: Uma História de Solidão* e a leitura foi uma experiência marcante, como sempre esse escritor me surpreende, me emociona e o principal: não me decepciona. Quero compartilhar minha opinião com vocês e através delas motivá-los a lerem!


Uma História de Solidão, John Boyne, São Paulo: Companhia das Letras, 2016, 416 pág.
Traduzido por Henrique de Breia e Szolnoky

A History of Loneliness foi publicado originalmente em 2014, mas apenas recentemente publicado no Brasil com o título Uma História de Solidão escrito pelo irlandês John Boyne, autor best-seller de O Menino do Pijama Listrado e outros títulos como: O Garoto no Convés, O Palácio de Inverno, Noah Foge de Casa, Tormento, Fique Onde está e então Corra.
Sou fã de John Boyne e toda vez que pego um livro dele para ler já sei que vou gostar e vou me emocionar de alguma forma, esse escritor tem um potencial enorme e é sempre um prazer lê-lo.
Em Uma História de Solidão não foi diferente: o livro é narrado em primeira pessoa por Odran Yates, um padre irlandês que vai alternar sua história no presente com lembranças do passado, reforçando o dia em que sua mãe, uma católica fervorosa, teve uma epifania de que Odran deveria ser padre e posteriormente como foi mandado para um colégio para sua formação sacerdotal.
"Que mundo é este em que vivemos, quanto mal causamos às crianças." (p.70)
Toda a infância, adolescência Odran foi muito influenciado pelas ideologias do catolicismo e as tradições religiosas. No seminário ele percebe que leva jeito para padre, mas nem todos que estão ali (muitas vezes de forma forçada) têm a mesma “vocação”, isto inclui seu companheiro de quarto e melhor amigo: Tom Cardle.


Após anos e depois de ter ido para Roma e ter voltado à Irlanda, Padre Odran Yates vai ensinar no Terenure College, após se adaptar a vida no colégio e a rotina ele é mandado para uma paróquia (antiga paróquia de padre Tom Cardle), após essa mudança radical em sua vida. Odran percebe que nunca mais ouviu falar de Tom.
Com uma narrativa não linear o leitor vai juntando os ‘pedaços’ das histórias e vai se delineando uma série de coisas que dão pistas sobre o rumo da história, sobre os segredos que girão em torno do catolicismo.
“Me sentei e, em seguida, estava chorando. Não por mim, acho que não; não pelos horrores das últimas vinte e quatro horas. E sim por como as coisas tinham mudado. Houve uma época em que as pessoas confiavam nos padres, quando levavam um menininho perdido à casa paroquial, não à delegacia. Hoje, era impossível conversar com uma criança sem ser alvo de olhares atravessados. Era impossível fazer uma reunião com os coroinhas sem um pai presente pra garantir que você não tentasse nada com os meninos. E era impossível ajudar uma criança que estava aflita e perdida sem que todos presumissem que você estava tentando raptá-la, sem que cuspissem a palavra pedófilo na sua cara." (p.211)
Em Uma História de Solidão John Boyne aborda bem um tema obscuro: a pedofilia cometida por vários padres que até o final do século passado eram ocultadas pela igreja. Na Irlanda, um país católico passou por vários casos de abusos como esses que ganharam manchetes e noticiários. A história é absolutamente verossímil o que um valor cada vez maior a obra que contou com uma vasta pesquisa por parte do autor.
Uma coisa que me incomodou e muito foi o personagem principal e nosso narrador: Padre Odran Yates que me pareceu ingênuo demais, sem convicção e simplesmente parecia não ter coragem de enfrentar sua vida. Não parece ser uma atitude de alguém com uma idade tão avançada, mas também tentei levar em consideração as cicatrizes que ele carregava, os problemas pessoais e familiares que ele tinha não resolvidos que o atormentaram sempre.


O desfecho foi assustador, triste, angustiantes, mas com o andar da carruagem era previsível. Além da pedofilia John Boyne trata de homossexualismo e os novos parâmetros sociais e religiosos. É muito interessante ler um livro profundo, bem escrito e cheio de história e situações “reais”. De certo modo, é bem difícil lidar com alguns fatos relatados, mesmo ficção o livro tem um peso de denunciar a cultura do secretismo.
"Se eu não conseguir enxergar algo de bom em todos nós e esperar que a dor compartilhada por todos tenha um fim, então que tipo de padre eu sou? Que tipo de homem?" (p.352)
Uma História de Solidão é, de fato, uma obra que critica não apenas ao catolicismo irlandês, mas mundial. Além disso critica a sociedade, as pessoas, a ética, a “justiça” que muitas vezes nem chega a acontecer.


*Este livro foi cortesia da Editora Companhia das Letras, para mais informações clique AQUI.

4 comentários:

  1. Gosto mto desse autor, mas ainda não li este,
    vou procurar! gostei da dica!

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    1. Oi Michelle,

      Se você já conhece os trabalho de John Boyne e gosta, com certeza, irá gostar de Uma História de Solidão, aliás, precisa conferir. O John Boyne é um de meus autores favoritos, então sou suspeita para indicar, mas creio que você deveria abraçar a primeira oportunidade que surgir para esta leitura.

      xoxo
      Mila F.

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  2. Mila, eu nunca vou saber lidar com os livros do Boyne... é também um dos meus escritores preferidos.

    Esse ainda não li, porque não tenho, mas ainda vou adquirir.

    abraços.

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    1. Olá Juh,

      Sou tão apaixonada pelo Boyne que se ele escrevesse bula de remédio eu comprava pra ler, rsrsrs, veja bem meu grau de fã...

      Uma História de Solidão foi um desses livro que adorei ler e me marcaram profundamente. É meu querido.

      xoxo
      Mila F.

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Muito obrigada pelo Comentário!!!!