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O Conde Enfeitiçado (Os Bridgertons - vol. 6) - Julia Quinn (resenha)

quarta-feira, 4 de março de 2026

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O Conde Enfeitiçado foi uma delícia de leitura e trouxe uma das histórias mais maduras e até mesmo complexas da família até agora

Saudações, Leitores!

Faz algum tempo que não lia Julia Quinn, inclusive, romances de época e quando comecei a ler o sexto volume da série Os Bridgertons percebi o quanto eu estava sentindo falta de ler romances despretensiosos e O Conde Enfeitiçado foi uma delícia de leitura e trouxe uma das histórias mais maduras e até mesmo complexas da família até agora.

Quero ressaltar que aqui no blog temos a resenha dos livros que antecedem esse volume: O Duque e Eu, O Visconde que Me Aamava, Um Perfeito Cavalheiro Os Segredos de Collin Bridgerton e Para Sir Phillip, com Amor.

Francesca Bridgerton sempre foi a irmã mais discreta. Enquanto Daphne, Anthony, Benedict, Colin e os outros ocupam o centro dos grandes escândalos e paixões arrebatadas, Francesca parecia viver à margem da narrativa principal. E é justamente nesse meio que seu livro se constrói. A cronologia aqui se entrelaça com acontecimentos dos romances anteriores, deixando ainda mais evidente que a vida dos Bridgertons acontece simultaneamente, ou seja amores nascem enquanto outros já estão consolidados.

Em O Conde Enfeitiçado o enredo gira em torno da jornada emocional de Francesca após a perda do marido, John. Diferente de outras histórias da série que começam com a busca pelo casamento, aqui encontramos uma mulher que já amou profundamente e que acreditava já ter vivido sua grande história. A dor do luto é tratada com uma delicadeza inesperada para um romance de época leve e isso dá ao livro uma camada extra de profundidade, e diga se passagem a dor do luto pela perda do marido e pela perda do filho que gestava também. 

É nesse cenário que entra Michael Stirling, primo de John e agora Conde de Kilmartin. Michael é, talvez, um dos pares românticos mais interessantes da série. Apaixonado por Francesca desde o primeiro instante em que a viu, ironicamente no dia em que ela conheceu e se encantou por John, ele carrega esse sentimento em silêncio por anos. Diferente de muitos protagonistas masculinos da série, Michael não é apenas charmoso e espirituoso; ele é marcado pela culpa, pelo desejo contido e pela lealdade ao primo que amava como irmão.

A construção do romance entre Francesca e Michael é lenta, marcada por hesitação, conflito interno e uma tensão emocional mais profunda do que simplesmente atração instantânea. Aqui, Julia Quinn trabalha o amor como segunda chance, como redescoberta, como algo que não substitui o que foi vivido antes, mas que pode coexistir de outra forma.

Gostei muito da história da Francesca justamente por isso: ela não apaga seu passado para viver o futuro. O livro reconhece que é possível amar mais de uma vez, de maneiras diferentes. Existe maturidade, existe desejo, existe culpa e existe superação. Além do mais, não conseguimos ver nenhum erro entre o casal Francesca e Michael que eram amigos. Francesca nunca olhou para Michael com interesse amoroso enquanto casada, isso aconteceu anos depois e Michael, nunca sucumbiu ao seu interesse amoroso em respeito a seu primo John enquanto ele vivia.

A química entre Francesca e Michael é construída de forma gradual, e me envolvi bastante com essa dinâmica. Michael, com seu humor e sua vulnerabilidade escondida, equilibra bem a postura mais reservada e introspectiva de Francesca. O relacionamento deles tem intensidade, mas também tem pausa, algo que diferencia esse volume de outros mais impulsivos da série. O romance deles demora anos para se desenvolver. 

O Conde Enfeitiçado foi uma leitura boa, agradável e rápida. Apesar de tocar em temas mais sensíveis como o próprio luto e a luta interna, a narrativa mantém o ritmo fluido característico da autora. Talvez não seja o livro mais leve emocionalmente, mas até o momento foi um dos que mais explorou as nuances do amor.

O Conde Enfeitiçado reforça que, dentro do universo dos Bridgertons, cada irmão vive o amor de maneira singular. E a história de Francesca mostra que algumas paixões não chegam como tempestades, chegam como marés profundas, silenciosas e transformadoras, principalmente após um período longo de dor e luto. 

Espero que tenha gostado desse veredito. Já me sinto preparada para o próximo volume dessa série. Até a próxima postagem!

FICHA TÉCNICA
Título Original: When He Was Wicked
Autor: Julia Quinn
Tradutor: Cláudia Costa Guimarães
Gênero: Ficção. Romance de Época.
Editora: Arqueiro
Ano: 2004-2015 | 304 págs.
País de Origem: Estados Unidos
Classificação: +15
Aviso de Conteúdo: Malária. Luto. Aneurisma.
Minha avaliação: 
⭐⭐⭐⭐ (4/5)
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