Segurei por quase um mês minha ansiedade de ler
A Escolha*, se a espera compensou: claro, já que acompanho a trilogia desde o primeiro volume e todos os anos esperava com ansiedade a continuação e os contos serem publicados. Meu sentimento agora? Saudade, tristeza... eu vou sentir saudade de America, Maxon e Aspen, por três anos eles estão no meu coração e me desapegar deles vai se doloroso. Sobre a resenha vai ser bem sentimental e creio que não deixei spoiler, portanto, sossegue e leia me desabafo... desabafem comigo nos comentários! Ah, já faz um tempinho que li esse livro e escrevi a resenha, mas somente agora tô postando... sorry :-)
A
Escolha, Kiera Cass, São Paulo: Seguinte, 2014, 352 pág.
Traduzido por Critian Clemente
The One (2014) no
Brasil A Escolha é o último livro da
trilogia A Seleção escrita por Kiera
Cass, que foi precedido por A
Seleção (2012), A
Elite (2013) e um livro extra chamado Contos
da Seleção: O Príncipe e O Guarda (2014). Sem dúvida, para quem
acompanha a trilogia, A Escolha, era
um dos livros mais esperados deste ano de 2014.
Antes de tudo preciso dizer que America Singer mudou
bastante neste terceiro volume, primeiro porque ela – apesar de continuar com
alguns mimimis – está mais decidida sobre seus sentimentos e o principal:
disposta a lutar por eles. Ela continua tendo algumas atitudes realmente
duvidosas e desnecessárias, mas no geral se mantém firme e forte, logo e
tem a proteção de Maxon que desde que a conheceu ficou escandalosamente
apaixonado. Entretanto, devo salientar minha revolta pelo fato de America ter
simplesmente passado a ser um pouco superficial em seus sentimentos e
relacionamentos familiares. A família que ela sempre colou em primeiro plano
simplesmente não faz mais sentido, fiquei chocada com sua atitude em um momento
de dor e o quanto foi superficial, parecia mais uma pedra ao invés da
America que conheci em A Seleção,
senti falta daquela America (mesmo cheia de mimimis ela parecia ser mais
real).
"Eu
precisava resolver essa situação de algum jeito. Não podia imaginar minha vida
sem Aspen. Mesmo naquele momento, em que esperava ser escolhida por Maxon, um
mundo sem Aspen parecia inconcebível." (p.9)
Maxon, America e Aspen estão próximos em A Escolha, por conta dos conflitos rebeldes, mas ao mesmo tempo
afastados, aparentemente, conseguimos perceber a dúvida que a autora, Kiera,
sentiu ao escrever este livro, não obstante, desde o começo ela entrega o jogo
e a escolha fica óbvia, embora tenha
algumas reviravoltas durante a narrativa.

O que mais me agradou neste livro foi o fato de as
quatro finalista: Celeste, Kriss, Elise e America terem suas desavenças, mas
mesmo assim se aproximarem uma da outra. Por conta da aproximação de Meri com
as outras participantes – e o livro ser narrado em primeira pessoa – também nos
aproximamos das outras participantes. Confesso que passei a gostar de Celeste, em
parte porque saber da história dela nos faz entender o motivo de ela ser como
é, e também porque ela provou que poderia ser melhor do que o que era, só não gostei do desfecho de sua história, achei cruel. De
maneira geral, as outras participantes, no meu modo de ver, eram bem
superficiais e nunca chegaram a ser um trunfo nas mãos de Kiera Cass, nem mesmo
Kriss que se sobressaiu bastante em A
Elite.
"Quando
ele me apertou um pouco mais forte, senti que todos os erros haviam sido
apagados e restara apenas a essência da nossa relação. Éramos amigos que tinham
percebido que não queriam ficar longe um do outro. Éramos diferentes em
diversos sentidos, mas, ao mesmo tempo, muito parecidos. Não dava para dizer
que nossa relação era obra do destino, mas ela parecia mais forte do que
qualquer coisa que eu já tinha vivido antes." (p.94)
Em A Escolha
também me surpreendi com o desenrolar do rei Clarkson e da rainha Amberly,
certos pontos eu compreendi perfeitamente e achei completamente plausíveis, mas
em outros eu não compreendi, principalmente o fato da rainha ser tão apaixonada
(ou submissa) ao rei, quando ela era inteligente e independente o suficiente
para mudar as coisas.

Quanto a Maxon ele me surpreendeu porque teve coragem
de enfrentar o desconhecido e lutar por aquilo que ele acreditava mesmo que
ficasse contra o rei. Contudo, Maxon não fugiu da minha ira, teve um
determinado momento em que eu simplesmente o achei um adolescente mimado,
incompreensível e ciumento (Ah, como tive vontade de bater no príncipe!).
Aspen também me surpreendeu no livro, principalmente por ele ter achado seu
caminho (sempre achei ele meio perdido) e embora o romance e o sentimento dele
por Meri fosse jogado constantemente nas páginas, percebemos que ele mudou e
conseguiu ter opções. Seria difícil se a escolha fosse apenas de Maxon e Meri,
acabou que a escolha também foi de Aspen (depois que li o conto O Guarda,
fiquei com uma quedinha por ele).
"...
quero tudo com você, America. Quero os feriados e os aniversários, as épocas corridas
e os finais de semana preguiçosos. Quero manchas feitas de dedos sujos de creme
de amendoim na minha mesa de trabalho. Quero piadas internas, brigas e todo o
resto. Quero uma vida com você." (p.297)
Confesso que achei tudo meio corrido, não em relação a escolha
da futura esposa de Maxon, mas no quesito de Kiera tentar solucionar os mistérios
dos rebeldes do norte e do sul, além do envolvimento de pessoas que jamais
seriamos capazes de imaginar nesse complô. O problema maior foi que Kiera Cass
quis solucionar e fechar com a distopia também e não apenas com a escolha do príncipe,
que no final das costas teve que escolher não só a esposa, mas o rumo que seu
reino iria tomar. Em resumo, este livro foi repleto de escolhas em todos os
sentidos e para todos os personagens e isso não quer dizer que todos fizeram a
melhor escolha, mas no fim, no desfecho do livro tudo se encaixou de modo a
agradar a todos os leitores, certamente.
"Você
disse que, para acertar as coisas, um de nós dois teria que dar um salto de fé.
Acho que encontrei o abismo que devo saltar, e espero encontrar você à minha
espera do outro lado." (p.310)
Uma coisa todos os fãs terão que concordar, sejam team Maxon ou team Aspen, não havia outra possibilidade para o final, não depois
que a narrativa enveredou por aquele rumo. Desse modo, acredito que A Escolha teve um final coerente e que
será capaz de agradar a maioria dos que acompanham a trilogia. Para finalizar
só tenho a dizer que essa trilogia foi uma das mais lindas que li nestes três
anos e que foi impossível não me envolver com todos os personagens e a
narrativa, torci, chorei, briguei e agora sinto que valeu a pena a espera. Vou
sentir saudade, mas Kiera Cass não vai nos deixar tão órfãos ela – segundo vi
na internet – vai escrever uma espécie de prequel com a rainha Amberly.
*Livro cortesia da Editora Seguinte.