Resenha: "O Colecionador de Memórias" de Cecelia Ahern

O Colecionador de Memórias, Cecelia Ahern, Robeirão Preto, SP: Novo Conceito, 2018, 272 pág.
Tradução:Alice Klesck
COMPRAR: Amazon

Saudações Leitores!
O Colecionador de Memórias (The Marble Collector, 2015) é o novo lançamento da escritora irlandesa Cecelia Ahern no Brasil, era até meio óbvio que eu iria ler este livro já que sou fã desta escritora. Inclusive, aqui no blog, tem resenha de outros livros da Cecelia, caso queiram conferir: P.S. Eu Te AmoA Vez da Minha VidaO PresenteSimplesmente AconteceA ListaComo se Apaixonar e O Livro do Amanhã.

Apesar da escrita leve e encantadora, sempre considero Cecelia Ahern uma escritora em que seus livros focam muito numa mensagem que gostaria de passar e uma reflexão sobre vários aspectos e situações da vida, em O Colecionador de Memórias não é diferente.
"Quando se trata de lembranças, há três categorias: coisas que quero esquecer, coisas que não consigo esquecer e coisas que esqueci que havia esquecido, até me lembrar delas."
Estaremos acompanhando Sabrina Boggs que, após uma explosão de temperamento no trabalho, onde é uma salva-vidas numa casa de repouso, é dispensada para passar o dia em casa e descansar (portanto, toda a maior parte do livro tem a duração de um dia), quando chega em casa a clínica onde seu pai, Fergus Boggs, está morando por conta de um ataque cardíaco e perda de memórias telefona para ela e informa do recebimento de umas caixas. Ela vai até a clinica e se depara com uma caixa cheia de bolas de gude.
"Minha mãe diz que tenho uma queda para me lembrar do que os outros se esquecem. Às vezes, é uma maldição, ninguém gosta de quando alguém se lembra do que todo mundo se esforçou tanto para sepultar. Sou o tipo de pessoa que se lembra de tudo depois de uma bebedeira, alguém que todos torcem para que fique com as lembranças bem quietas."
Aquilo é uma total surpresa para Sabrina, pois pelas informações que encontra na caixa percebe que jamais chegou a realmente conhecer o pai. Ali, junto com as bolas de gude ela vê outro Fergus. É nesse ínterim, que ela vive uma crise de identidade também, pois esta casada, tem três filhos, mas vive uma vida apática, como se também não se conhecesse.
A partir do momento que ela vai em busca de respostas para essas bolinhas de gude - pois não pode chegar ao próprio pai e perguntar, já que ele não lembra de nada, ela acaba conhecendo um lado de seu pai o qual pode admirar, um homem apaixonado por um hobbie, mas que o escondeu e mentiu sobre ele para a família durante toda a vida. Fergus viveu uma vida dupla, a vida que a esposa e a filha esperavam dele e a vida dele, quem ele era realmente, portanto, um dia essas duas vidas entraram em colapso e a pressão foi tão grande que ele teve o ataque cardíaco.

É nessa busca pelo verdadeiro Fergus Boggs que Sabrina também passa a se conhecer melhor e descobrir o que realmente deseja e espera da vida. Mas O Colecionador de Memórias não para por aí: na medida em que acompanhamos o ponto de vista de Sabrina e suas descobertas sobre o pai, também vamos ter capítulos sob o ponto de vista de Fergus Boggs, que paulatinamente vai se lembrando de suas memórias.
"Há um lado do meu pai que eu nunca conheci, há uma vida que ele levava que escondia de mim e eu quero descobri-la. Não só por mim. Mas se ele não consegue se lembrar disso, como pode sequer voltar a conhecer essa parte dele mesmo?"
A mensagem transmitida pela escritora sobre o quanto é importante sermos quem somos, mesmo que não corresponda as expectativas das outras pessoas, é fenomenal. Além de nos identificarmos com Sabrina, pois é impossível não nos vermos cercados em dúvida sobre quem realmente somos ou querermos ser; ou mesmo nos identificarmos com Fergus que tentou esconder um lado de sua vida por achar que algumas pessoas a sua volta não o entenderiam, ou não dariam a real importância para aquilo que ele amava. O fato é que toda ação gera uma reação e devemos pensar bem a respeito disso.

O Colecionador de Memórias é um livro lindo e bastante reflexivo, mas, falando francamente, foi o mais simples que já li da escritora, os outros me emocionaram bem mais, aqui achei que faltou um trabalho melhor em relação ao enredo, a mensagem é intensa e linda, mas poderia ser transmitida com um enredo mais envolvente, mais elaborado.
"As pessoas não sabem o que causam aos outros quando fazem coisas que não deveriam. Mágoas criam raízes que se espalham, vão se alastrando, sorrateiramente, por baixo da superfície, tocando outras partes da vida dos que eles magoaram. Nunca é um erro, nunca é um momento, torna-se uma série de momentos, e cada um deles origina raízes que também crescem em direções diferentes. E, com o passar do tempo, isso se transforma numa velha árvore retorcida, estrangulando a si mesma, amarrando-se em nós."
Gostei bastante do livro, a leitura flui com agilidade e se você já é fã da escritora este livro é leitura obrigatória.. Sempre fico extasiada quando escritores que admiro tem novas obras traduzidas e publicadas no Brasil, enche meu coração de alegria, como fã, sigo admirando o trabalho de Cecelia e ansiosa por novas publicações.

0 comentários:

Deixe seu comentário

Muito obrigada pelo Comentário!!!!